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6 Coisas que farão qualquer “cidadão de bem” temer a intervenção no RJ

Publicado por: em 20/02/18 2:57 PM

Uma falácia se tornou oração para os defensores dos militares e ações desenfreadas do exercito na capital carioca sem qualquer planejamento: Só vai sofrer quem for bandido.

É óbvio que os mais sensatos e analíticos sabem que vai sobrar para o traficante mas também para o trabalhador honesto, para a mãe de família, o jovem negro da periferia e até para os soldados no Rio de Janeiro.

Por isso decidimos separar alguns fatos básicos para quem ainda não conseguiu ver a situação com clareza

1 – Familiar Bolsonaro defende o respaldo jurídico no caso de morte de inocentes em confronto

Geralmente em questões de visibilidade nacional é comum a família Bolsonaro não participar da organização e articulação e mesmo assim falarem alguma besteira, desta vez não foi muito diferente.

Os agentes de segurança pública e militares já são pagos (mesmo que muitas vezes mal) e treinados para evitar danos colaterais em confrontos com criminosos, se a intervenção no Rio tiver como principal preocupação o número de cidadão trabalhadores alvejados por armas de fogo das forças de segurança temos algo muito errado aí.

O apelo popular em prol da intervenção tem como foco a instauração da paz e ordem no estado, coisa que ficará dificil se o principal foco da ação foi evitar que militares sejam punidos por mortes de inocentes.

Jair Bolsonaro não foi muito diferente de seu filho chegando até a criticar a intervenção militar pela falta de licença para matar.

Pergunto para você e para Eduardo Bolsonaro: Se um filho seu, uma esposa, um amigo ou um ente querido for atingido e morto por projéteis de armas das forças de segurança, você deixaria a situação como está ou irá querer saber se a morte foi causa por displicência do agente?

2 – A maior preocupação do exercito e seu comandante, são comissões que possam investigar excessos cometidos pelas forças de segurança

Comissão Nacional da Verdade (CNV) foi a comissão instituída pelo governo do Brasil que investigou as graves violações de direitos humanos cometidas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988.As violações aconteceram no Brasil e no exterior, praticadas por “agentes públicos, pessoas a seu serviço, com apoio ou no interesse do Estado” brasileiro.

Engana-se quem diz que a ditadura só perseguiu comunistas e “vagabundos”, muita gente comum foi vitima dos militares, como é o caso Madre Maurina foi uma freira franciscana torturada no Regime Militar do Brasil, não era comunista nem tinha nenhuma ligação com nenhum grupo de resistência contra a ditadura militar, ela nunca se negou a dar explicações, prestou esclarecimentos aos militantes, mesmo assim foi brutalmente torturada ao ponto de não conseguir falar sobre o assunto abertamente por muito tempo.

Veja mais: Quem foi madre Maurina? A freira torturada nos porões do DOPS

Provavelmente o General Villas Boas conhece melhor que ninguém suas tropas, na manhã da ultima segunda-feira (19), o comandante do Exército, disse ser necessário dar aos militares “garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade”.

A Comissão da Verdade, concluída em 2014, 50 anos depois da instauração do regime militar, em 1964, investigou casos de tortura e mortes durante o período. A função da comissão não era punir e sim investigar as mortes no regime militar.

O Caso Amarildo talvez seja o maior exemplo de que as forças de segurança devem ser supervisionadas e investigadas por quantas comissões forem necessárias.

Amarildo Dias de Souza foi um ajudante de pedreiro e carioca que ficou conhecido nacionalmente por conta de seu desaparecimento em Julho de 2013 e assassinato, após ter sido detido por policiais militares e conduzido da porta de sua casa, na Favela da Rocinha, em direção a sede da Unidade de Polícia Pacificadora do bairro.

O corpo de Amarildo jamais foi encontrado e em fevereiro de 2016, a juíza Daniella Alvarez, da 35ª Vara Criminal do Rio, condenou 12 policiais militares pelos crimes de tortura e ocultação de cadáver.

Você não acha que as ações no Rio de Janeiro devam ser acompanhas de perto para prevenir possíveis abusos como inúmeros tantos que já assistimos nesse país?

3 – Assim como na PM, as forças armadas possuem uma banda corrupta e desonesta envolvida diretamente com o tráfico carioca

Em 2017, o sargento do Exército Carlos Alberto de Almeida, de 46 anos, considerado o maior armeiro do tráfico de drogas do Rio de Janeiro, foi preso por policiais da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) na Favela da Coreia, em Senador Camará, Zona Oeste do Rio.

Também ano passado um caminhão do Exército carregado com drogas foi apreendido, na SP-101, que liga Campinas a Monte Mor, na ação dois militares foram presos

Ainda em 2017, três segundos-tenentes da Marinha foram presos no Mato Grosso do Sul tentando levar armas ilegais compradas no Paraguai para o Rio de Janeiro.

Você ainda acha que uma comissão da verdade nas ações do RJ seria desnecessária?

4 – A intervenção no RJ está mais para uma aventura que uma operação

O general Eduardo Villas Boas, comandante do Exército Brasileiro, avaliou que as Forças Armadas não tiveram tempo de fazer um planejamento detalhado de como será a ação no Rio.

Até o momento o governo não soube dizer qual será o plano a ser tomado no Rio, tão pouco quanto isso custará aos cofres públicos, o governo sequer tem um nome para o recém criado ministério da segurança pública e ainda busca opiniões de autoridades paulistas no assunto. Lembrando que a ineficiência do estado Paulista na gestão do PSDB foi o que exportou o PCC para o resto do Brasil.

Irritado com os diversos questionamentos feitos por jornalistas e parlamentares, Moreira Franco ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência deu um xilique em sua entrevista com o jornal a Folha de SP e afirmou: ” Aqui não tem amador”.

5 – Vilas Bôas afirmou estar preocupado com o uso constante do exercito

Em dezembro de 2017, o comandante do Exército, o general Eduardo Villas Bôas, o mesmo general preocupado com a instauração futura de uma comissão para investigar abusos frutos da intervenção no Rio, disse em seu Twitter também estar preocupado com o “constante emprego” das Forças Armadas em ações de segurança pública.

Em Junho do mesmo ano o General afirmou que o uso de militares como reforço na segurança pública “desgastante, perigoso e inócuo”.

6 – Não é a primeira vez que militares atuam no patrulhamento

Com o atual decreto essa é a 13ª vez que o exercito é convocado para reforçar a segurança pública no estado, todas as vezes as ações tiveram nenhum ou pouco efeito prático.

A criminalidade sempre retornou com a saída das tropas as vezes até mais sanguinária, o combate ostensivo sem ações estratégicas de segurança e inteligencia se provou falho.

Enquanto é mobilizado um grande efetivo militar para o Rio as fronteiras nacionais permanecem sem qualquer segurança, drogas e armas continuam entrando pelo país com pouca ou nenhuma dificuldade.

Lentamente , o general Sérgio Etchgoyen chefe do gabinete de segurança institucional  e as forças armadas estão testando a resistência das instituições brasileiras.

Se não houver resistência, a Constituição será a próxima vitima. E ai não vai ter o que Supremo, PGR e o Congresso reclamarem mais tarde. afinal de contas, colaboraram e alimentaram com a próxima crise institucional e constitucional que está por vir.

Veja também: 17 coisas que você precisa saber antes de falar sobre a intervenção no Rio

Cleber Lourenço
Editor-chefe, fundador e colunista desse site que tem como objetivo questionar e denunciar.
Entre em contato: cleber@acoluna.co
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