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A lei não é para todos. Alckmin provou isso

Publicado por: em 12/04/18 2:08 PM

por Jean Borsatti

A saída de Geraldo Alckmin do governo paulistano era a esperança de ver o tucano ao menos ser investigado pela operação Lava Jato, porém como dizem as más línguas “tucanos tem as costas quentes”.

Após a força-tarefa da Lava Jato do estado de São Paulo ter solicitado a transferência do processo que estava no STJ para os responsáveis em São Paulo, a ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça determinou que o inquérito no qual Geraldo Alckmin é investigado seja enviado para a Justiça Eleitoral do estado de São Paulo.

Leia também: Uma lista de motivos para Moro agora pegar Alckmin

A ministra, atendeu o requerimento do vice-procurador-geral, Luciano Mariz Maia que alega que o crime de caixa dois é considerado um crime eleitoral, e, portanto, sua gravidade é menor que o crime de corrupção, o que justificaria a ida do inquérito à Justiça Eleitoral e não a Força-Tarefa da Lava Jato do estado.

Evidentemente isso ajuda os tucanos a se verem livres da Operação Lava Jato, que em quatro anos não prendeu nenhum político do PSDB. Se antes de perder o foro privilegiado os tucanos já eram chamados de “intocáveis”, com esta decisão a justiça apenas confirmou o que todos já sabíamos, os tucanos estão acima da lei, principalmente Alckmin que é a última esperança do partido ocupar o cargo de Presidente da República.

Apesar de garantir que Alckmin seja candidato para as eleições de outubro, a atitude tomada pela ministra promoveu um grande desgaste político que pode custar a eleição do tucano.

Na edição de ontem, finalizei a reportagem que falava sobre os crimes de Alckmin (Leia aqui) com a seguinte pergunta: Será que chegou a vez dos tucanos? Aparentemente, pelo menos por enquanto, os tucanos continuam acima da lei e nem mesmo serão investigados.

Se existe um tucano com a possibilidade de ir parar atrás das grandes, sem dúvidas é Aécio Neves, que foi flagrado pedindo propina para o empresário Joesley Batista em maio do ano passado. Na ocasião, além de pedir R$ 2 milhões para o empresário, que segundo Aécio seria usado para pagar dívidas de campanha, o senador mineiro ainda ameaçou seu primo, caso ele delatasse “Tem que ser alguém que a gente mate antes de fazer delação” disse Aécio na ocasião.

A primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deverá decidir na próxima terça-feira (17) se receberá a denúncia, se isso ocorrer, Aécio Neves vira réu por corrupção e obstrução de justiça. Mas enquanto o STF não decidir sobre o futuro do senador a impunidade tucana continua a solta.

Após a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma campanha para a prisão dos tucanos foi ensaiada por alguns usuários das redes sociais que diziam “Agora chegou a vez do PSDB”, porém este movimento perdeu força nestes últimos dias, e ao que tudo indica, se tornará a mesma balela de 2016 quando apoiadores do impeachment/golpe diziam que primeiro seria Dilma Rousseff e posteriormente os demais. Esse movimento perdeu força dias após o impeachment, tanto, que Michel Temer continua como Presidente da República mesmo tendo de explicar inúmeros crimes no qual a justiça aponta sua participação.

O futuro do Brasil é incerto, enquanto muitos clamam, mesmo com muita seletividade, pelo fim da corrupção, outros defendem que a justiça precisa ser imparcial, assim como manda os “ritos” da democracia. Enquanto isso, muitos fazem a festa, pois sabem que a impunidade ainda frequenta o seu quintal.

Redação A Coluna
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