Coluna

– Jornalismo com opinião

<

Uma lista de motivos para Moro agora pegar o Alckmin

Publicado por: em 11/04/18 6:10 PM

São Paulo, pelo menos por enquanto, está livre de Geraldo Alckmin no governo. No último dia seis de abril o tucano deixou o cargo de governador para pleitear uma vaga na presidência da república. Mesmo aparecendo com apenas 6,4% dos votos na última pesquisa realizada em março pela CNT/MDA, o governador paulistano parece ser a última esperança do PSDB conseguir chegar ao cargo que não ocupa a dezesseis anos.

Porém não será fácil para o partido convencer o eleitorado que Geraldo Alckmin seja a melhor opção para morar no Planalto, além de sofrer com a crise política, que se instaurou no país pós golpe, ainda terá que enfrentar as acusações de corrupção que até então não estavam sendo investigadas pelo motivo do tucano ter foro privilegiado, entretanto o pré-candidato perdeu o privilégio quando deixou o governo paulistano para se lançar candidato.

ACUSAÇÕES

Após a saída de Alckmin do governo de São Paulo, a força-tarefa da Lava Jato no estado pediu para ao vice-procurador da República que a investigação das supostas propinas pagas ao governador deixe o STJ e seja transferida para a primeira instância em São Paulo.

Alckmin foi citado por delatores da Odebrecht como recebedor de R$ 10,7 milhões da empresa, parte do valor teria sido entregue para o cunhado do tucano, o empresário Ademar César Ribeiro.

Segundo os delatores, os valores teriam sido entregues em 2010 e 2014 para as campanhas eleitorais tucanas. Três executivos da empreiteira citaram Alckmin em suas delações: Benedito Junior, Carlos Armando Paschoal e Arnaldo Cumplido de Souza e Silva.

PRISÃO DE PAULO PRETO

A prisão do operador do PSDB, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto um dia após a prisão do ex-presidente Lula causou pânico na cúpula tucana, já que Paulo Preto é um potencial delator.

Paulo é preto é um dos principais operadores do PSDB (Foto: Reprodução)

Preto atuava na arrecadação de dinheiro junto as empreiteiras para as campanhas eleitorais do partido, além disso era diretor da DERSA, estatal paulistana na área de transportes, onde foi acusado de ter desviado R$ 7,7 milhões das desapropriações pagas pelo trecho sul do Rodoanel durante as gestões de Geraldo Alckmin e José Serra.

OUTRAS ACUSAÇÕES

A denúncia na operação Lava Jato não é a única que amedrontou o tucano em sua carreira política, nos últimos mandatos como governador sofreu com inúmeros escândalos, que nunca foram investigados até o momento.

Veja agora, uma lista com os principais escândalos de corrupção que Geraldo Alckmin já enfrentou nos últimos anos:

  • Crise no abastecimento de água: Em plena campanha para as eleições de 2014, SP passou por uma das suas maiores crises hidráulicas da história. Alckmin tentou esconder o racionamento que o estado estava enfrentando para que sua campanha para o governo não fosse prejudicada, para isso, o tucano aumentou as verbas destinadas para a publicidade e assim, conseguir manter o discurso de que nada estava acontecendo. No mesmo ano, o Ministério Público Estadual (MPE) denunciou o favorecimento de treze empresas de engenharia em contratos realizados pela SABESP, entre os anos de 2008 e 2013.

Em março de 2015 o governo anunciou o pagamento de uma dívida de R$ 1 bilhão para cobrir rombos financeiros da empresa. Esse episódio ficou conhecido como “Escândalo da SABESP”.

  • Ajudinha á grandes veículos de comunicação: Ainda quando estava no governo, foi descoberto repasses de mais de R$ 3,8 milhões na compra de 15.600 assinaturas dos jornais Folha de SP e Estadão, além da revista Veja que também foi beneficiada. O dinheiro foi retirado da Secretaria de Educação, na qual realizou o projeto “Sala de Leitura”, segundo a secretaria, as assinaturas foram destinadas a escolas da rede estadual de ensino.

 

  • Propinoduto: Outro escândalo envolvendo empresas na área de transporte, desta vez, sob trilhos. Apesar de ter vindo à tona apenas em 2012 o esquema de corrupção funcionava pelo menos desde 1998. Fraudes em licitações de trens e metrôs, pagamentos de propina, superfaturamento de obras e subcontratação de empresas derrotadas em concorrências foram alguns dos crimes apontados pela justiça suíça após encaminhar documentos para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Várias autoridades tucanas foram citadas nas delações da multinacional Siemens que estava sendo investigada pela justiça suíça, entre eles estavam o secretário de Transporte Metropolitano do governo Alckmin, Jurandir Fernandes.

 

  • Desvio da merenda escolar: No governo paulistano nem mesmo as crianças são poupadas, esse que é o mais recente escândalo (depois da Lava Jato) envolvendo os tucanos, abalou o governo. Seu governo foi acusado pelo MPE de superfaturamento em contratos para o fornecimento de merenda escolar à Secretaria de Educação e mais 22 prefeituras do estado. Através de delações na Operação Alba Branca, dirigentes da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (COAF) citaram o deputado tucano Fernando Capez (PSDB – SP) e o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do Governo Alckmin, Luiz Roberto dos Santos, também conhecido como Moita. Segundo denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), o superfaturamento chegava a 25% no valor de cada contrato firmado entre a cooperativa e o setor público. O dinheiro era escoado do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O MPE aponta, ainda, o pagamento de propina pela Coaf para burlar a disputa com outras cooperativas no fornecimento da merenda. A fragilidade na fiscalização do Governo Alckmin já havia sido denunciada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). (Crédito: Jornal GGN)

Será mesmo que a impunidade tucana chegou ao fim? Esse é o momento certo para a equipe da Lava Jato, provar que de fato ninguém está “acima da lei”, inclusive isso foi o que disse o Governador de São Paulo Geraldo Alckmin quando foi perguntado sobre a prisão de Lula: “Isso prova que ninguém está acima da lei”. Muita cara-de-pau para um político que está até o pescoço de acusações, e nunca antes havia sido investigado. Será que chegou a vez dos tucanos?

Redação A Coluna
banner com links