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ANÁLISE | O perigo dos Dados

Publicado por: em 6/08/18 9:00 PM

Hoje em dia é comum que as empresas recolham todo tipo de informação. Desde informações pessoais, páginas acessadas na internet, divulgações em redes sociais e serviços diários se tornam dados que são armazenados em grandes bancos de dados. Com isso eles criam algoritmos que analisam esses dados e trazem soluções para os clientes.

Simplificando, esse grande volume de dados recebe o nome de BIG DATA, o estudo e analise desses dados recebe o nome de ciência de dados. Hoje em dia eles estão se tornando cada vez mais comum e cada vez mais valiosos.

E por que ter posse desses dados pode ser um problema?

Existem pelo menos dois problemas que aparecem, o primeiro é um problema voltado aos algoritmos e o segundo é um problema voltado as empresas.

Falarei de brevemente sobre o problema dos algorítimos, a autora Cath O’Neil no livro “Weapons of math destruction” (tradução livre: Armas de destruição em matemática) mostra a forma irresponsável que os dados são usados em usados  em algoritmos. Precisamos de uma preocupação com isso pois esses algorítimos irão reproduzir problemas como machismo, homofobia, racismo, entre outras minorias e classes mais pobres. Reservarei falar mais sobre esse assunto em outro artigo. O problema que focarei nessa matéria é a utilização de dados pelas empresas.

Como é uma tecnologia nova e sem regulamentação, companhias como Facebook detém o monopólio de dados em sua área. Elas não apenas vendem esses dados mas os utilizam para aprimorar seus produtos e sua influência no mercado. Quanto mais influência uma empresa possui maior é seu poder sobre as pessoas, vou chamar isso de poder político. Estamos em um nível do capitalismo que o monopólio passa a entender e controlar todo o nosso consumo, exemplificarei usando o Facebook.

O Facebook tem algorítimos que captam e analisam tudo que acessamos enquanto estamos na rede social. Para melhorar a experiencia do funcionário existem algorítimos que entendem nosso perfil e apresentam um conteúdo mais adequado a cada um, seja por notícias ou mesmo por links para produtos de nosso interesse. Ou seja, nos já nos acostumamos com o algorítimo nos mostrando coisas e assumimos que seja o que queremos ver.

Na ultima eleição presidencial norte-americana o facebook sofreu uma denuncia de que estava manipulando as opiniões e consequentemente o resultado da eleição. Simplificando o site, de um lado apresentava noticias ou imagens positivas junto com notícias de um candidato e do outro lado apresentava o outro candidato com imagens negativas. Isso gerou um aumento do interesse do público pelo candidato primeiro candidato. O facebook, quando autuado a responder, se defendeu afirmando que o algoritmo funcionava sozinho e que isso não teria acontecido de forma intencional.

Apesar da defesa o ponto principal é que o Facebook influenciou um resultado eleitoral, como ele possui o monopólio sobre divulgação de noticias ele possui um impacto real do que o algorítimo decide mostrar. É esse o poder político que essas empresas estão acumulando, sendo capaz de conhecer e influenciar cada vez mais o indivíduo. Assim os dados estão criando Empresas que dominam tanto o mercado quanto quais informações estão acessíveis para nós.

Essa situação só poderia ser revertida com uma política de transparência e regulamentações para essas empresas assim como estudos sobre o impacto que elas causam.

Bibliografia

https://www.facebook.com/BusinessInsiderUK/videos/2504257946466567/UzpfSTIwNDQ2MjU0MDcwOjEwMTU1OTEzNzcwMzA0MDcx/?filters_rp_author=%7B%22name%22%3A%22author%22%2C%22args%22%3A%2220446254070%22%7D

http://uk.businessinsider.com/how-facebook-makes-money-according-to-mark-zuckerberg-2018-4?utm_content=buffer5d3ca&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer-biuk

https://www.businessinsider.com/data-breach-costs-us-vs-countries-chart-2018-7?utm_content=buffer9b27d&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer-bi

https://www.ted.com/talks/cathy_o_neil_the_era_of_blind_faith_in_big_data_must_end

https://www.theatlantic.com/technology/archive/2017/10/what-facebook-did/542502/

Leonardo Piovesan
Economista e matemático, áreas de interesse: economia da inovação e implicações econômicas e sociais da tecnologia

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