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COLUNA | 36 universidades pelo país sofrem com ação acusada de censura

Publicado por: em 26/10/18 10:18 AM

Em 72 horas mais de 30 universidades em 9 estados da federação, esse é o saldo de uma das maiores ações politicas contra estabelecimentos de ensino públicos desde a redemocratização. As universidades em muitos casos foram invadidas pela Polícia Federal em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) buscando impedir a realização de atividades pedagógicas e políticas e apreender material dito ilegal de campanha.

Apesar das ações serem realizadas com a alegação de evitar campanha eleitoral em prédios públicos, o que é justo e correto. Infelizmente não  é o que está acontecendo, em sua grande maioria foram as palavras “antifascismo” e “contra a extrema-direita” que motivaram as ações dos agentes públicos nas universidades.

O que coloca em cheque um ponto: ou a justiça reconhece que Jair Bolsonaro é um candidato fascista e qualquer menção contra o fascismo e a extrema-direita são ataques diretos contra ele. Ou então as ações são movidas por pura ignorância e com objetivos obscuros.

Veja a relação de estabelecimentos de ensino afetados com as ações:

  • UFGD (Dourados),
  • UEPA (Iguarapé-Açu),
  • UFCG (Campina Grande),
  • UFF (Niterói), UEPB,
  • UFMG, Unilab-Palmares
  • Cepe-RJ
  • Unilab-Fortaleza
  • UNEB (Serrinha)
  • UFU (Uberlandia)
  • UFG
  • UFRG
  • UCP (Petrópolis)
  • UFSJ
  • UFERSA
  • UFAM
  • UFFS
  • UNESP-Bauru
  • UFRJ
  • IFB
  • UFRRJ
  • UFPB
  • UERJ
  • UFAM
  • UniRio
  • UFMS
  • UFRJ
  • UFERSA
  • Unifei
  • UFBA
  • UFMT
  • UENF
  • UFGD
  • UFSJ
  • UFFS
  • IFB
  • UFMS-MS

Muitas das ações ocorreram sem mandado por escrito, em alguns casos como o da UFF, o mandado foi verbal. O que indica algo mais assustador, há retaguarda jurídica garantida.

Na UEPA, em Igarapé-Açu (PA)
A Polícia Militar, sem mandato, a pedido de uma discente apoiador de Jair Bolsonaro, invadiu a aula do professor Mário Brasil (coordenador do curso de ciências sociais) para interrogar o teor ideológico de sua disciplina. Os policiais queriam prender o professor, o que só não ocorreu por interferência dos alunos.

Na UFGD, em Dourados (MS),
A Polícia Federal, sem mandato, invadiu o diretório central dos estudantes (DCE) para apreender material sobre a história do fascismo. Estudantes membros do DCE foram presos e só foram liberados por causa da ação de advogados da própria universidade.

Reprodução

Na UFCG, em Campina Grande (PB)
A Polícia Federal invadiu a sede da ADUFCG (sindicato dos docentes) com agentes armados, para apreender material sobre o programa “Universidade é democracia” alegando que fazia propaganda eleitoral. A ação também tentou prender professores.

Na UFF, em Niterói (RJ)
A Polícia Militar, sem mandato, invadiu o Prédio do ICJ, de Direito, para arrancar a bandeira da UFF ANTI-FASCISTA. Diziam os policiais “anti fascista” é “anti-bolsonarista” e portanto não pode. Neste caso os policiais reconheceram que Bolsonaro é fascista.

Entidades se posicionam contra as ações

Em nota, a OAB-RJ  declarou:

“Tentam censurar a liberdade de expressão de estudantes e professores das faculdades de Direito, que, como todos o 
como todos os cidadãos, têm o direito constitucional de se manifestar politicamente”

A PUC-SP também emitiu uma nota em sua página no Facebook sobre os ocorridos em todo o país:

“A PUC-SP, voltada à experiência do conhecimento e da liberdade em sua vigência universal, vem a público expressar a firme defesa da democracia como base da convivência e repudiar toda manifestação de ódio, intolerância e constrangimento de qualquer ordem, contrária à igualdade individual e coletiva, política, econômica, social, racial e de gênero, do conjunto da população brasileira, conforme o que estabelece a Constituição e o que caracteriza os valores estabelecidos pelas práticas de paz, fraternidade e acolhimento que sempre marcaram esta Instituição.

Atualmente encontra-se em risco a defesa dos interesses do povo brasileiro, de seus trabalhadores, bem como dos mais frágeis e vulneráveis, que constitui o alvo prioritário de nossas ações.

No passado já fomos duramente atingidos por atos de exceção no período ditatorial, com uma invasão policial-militar e um incêndio criminoso e qualquer prática que pode de alguma maneira conduzir à repetição dessas situações deve ser rechaçada como intolerável.

Juntamo-nos aos que conclamam por um amplo movimento de união que permita um futuro com a garantia da justiça social e a plenitude de acesso ao bem-estar pelo conjunto do povo brasileiro.”

Enquanto direitos políticos são suprimidos, por outro lado há de se lembrar que a corrupção muito em breve acabará no Brasil. Afinal de contas, é muito fácil falar que não existe corrupção com um cabo e um soldado em cada porta de redação.

Cleber Lourenço
Editor-chefe, fundador e colunista desse site que tem como objetivo questionar e denunciar.
Entre em contato: cleber@acoluna.co
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