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Comandante do Exército declara que se houver intervenção, será para respeitar a Constituição e manter democracia.

Publicado por: em 5/07/18 7:42 PM

O Exército brasileiro promoveu nesta quinta-feira (5), por meio do Comando Militar do Sudeste, uma cerimônia que homenageou o soldado Mário Kozel Filho, morto durante a ditadura militar em 1968. O evento teve à frente o comandante do Exército, general Villas Bôas.

A cerimônia aconteceu um dia depois da Corte Interamericana de Direitos Humanos ter considerado o Estado brasileiro responsável pela falta de investigação e de punição dos responsáveis pela tortura e assassinato do jornalista Vladimir Herzog, que ocorreu em outubro de 1975.

Sobre esse acontecimento, Villas Bôas afirmou: “naquela época, a sociedade brasileira cometeu o erro de permitir que a linha de confrontação da guerra fria dividisse a nossa sociedade, o que acabou criando ambientes para que fatos lamentáveis, como a morte de Kozel e Herzog, tivessem ocorrido”.

Com relação aos pedidos de intervenção militar dos últimos tempos, o comandante disse que há uma identificação na população com os valores das Forças Armadas e uma ânsia pelo reestabelecimento da ordem.

Villas Bôas afirmou que não existe a possibilidade de uma intervenção militar nos mesmos moldes do período da ditadura militar, entre 1964 e 1985. Para ele, se o Exército intervier, será para respeitar a Constituição e manter a democracia.

“Eu nem vejo um caráter ideológico nisso. Mas, de qualquer forma, as Forças Armadas e o Exército, pelo qual eu respondo, se, eventualmente, tiverem de intervir, será para fazer cumprir a Constituição, manter a democracia e proteger as instituições”, disse.

Tomando como exemplo a recente intervenção no Rio de Janeiro, é nítido que a ação policial de tropas militares inevitavelmente cai na violação dos Direitos Humanos, da lei e do Estado Democrático de Direito por meio da violência contra população mais pobre.

Há algum tempo o general vêm ganhando notoriedade por suas opiniões sobre questões políticas, como aconteceu em abril deste ano, quando o comandante postou em sua conta no Twitter opinião sobre o julgamento do STF do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Segundo o decreto 4346 de 2002, os militares do Exército de todas as organizações militares brasileiras são proibidos de se manifestar sobre questões políticas e partidárias.

Ainda na homenagem, o general Luiz Eduardo Baptista Ramos Pereira afirmou que “não existe separação entre civis e militares. A sociedade brasileira, em um grito unido, disse: ‘não aos atos terroristas e à minoria inconformada’. Juntos, civis e militares lutamos pelas crenças de nossa rica e próspera nação. Sempre capazes de superar crises de todos os matizes”.

“Estamos fazendo, atualmente, exatamente isso. Face a uma crise moral, na qual valores do bem comum e de amor à pátria vem sendo afrontada. Somos um povo conhecido pela tolerância, pela solidariedade”, completou.

 

 

Natália Barbosa
Estudante de administração, paulista e feminista.
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