Coluna

– Jornalismo com opinião

Especulação imobiliária é uma das maiores inimigas do bom futebol brasileiro.

Nas últimas décadas, temos visto que a quantidade de craques do futebol brasileiro tem diminuído consideravelmente.

O nosso campeonato brasileiro, por exemplo, cada vez menos tem revelações tanto em quantidade, quanto em qualidade, o que empobrece o nível da competição.

Muitos comentaristas, torcedores e admiradores do esporte, acabam comentando que é uma safra ruim do futebol e que futuramente isso poderá melhorar, mas isso não é uma verdade.

O que ocorre no nosso futebol, é a consequência direta da mudança do espaço urbano, visto que, a crescente urbanização, a necessidade de moradia e a violenta especulação imobiliária, fazem com que cada vez mais o espaço seja mais disputado e valorizado, assim sendo, áreas que serviam para o entretenimento ou para a socialização das pessoas estão sendo tomadas por casas, edifícios (habitacionais, comerciais, hospitalares, hoteleiros) ou até mesmo por simples lojas.

Por exemplo, na década de 1980, aproximadamente 10.000 campinhos de futebol foram destruídos pela especulação imobiliária e a urbanização completamente desordenada. Esses campinhos eram um dos únicos espaços onde o jovem pobre brasileiro aprendia e praticava futebol, e agora isso ocorre cada vez menos.

O espaço está cada vez mais privatizado. O campinho, a várzea onde antes era o espaço e celeiro de muitos craques do futebol mundial, atualmente são espaços tomados por prédios comerciais e conjuntos habitacionais (casas e condomínios). As escolinhas, além de privadas (o que exclui uma parcela mais pobre de praticar o esporte) não atendem a demanda de jogadores e são espaços nada democráticos, visto que, atletas parentes de dirigentes ou que possuem empresários tem mais benefícios para ter acesso ao futebol. Muitas das vezes o bom jogador é deixado de lado para o o jogador do “bom” (no sentido de influente) empresário ou dirigente ter seu espaço no time.

Amargamos uma profunda crise de formação de bons jogadores justamente porque uma das principais fontes, que é a várzea, praticamente secou. O brilho do espetáculo se perdeu, e consequentemente os estádios estão mais vazios, justamente porque os craques dos clubes estão cada vez menos presentes no gramado, tanto por causa da formação, quanto por causa da exportação dos jovens precocemente para os centros do futebol mundial (Europa).

O futebol brasileiro, dessa forma, é diretamente afetado pela cultura e pelos interesses estritamente econômicos, em detrimento da cultura, do lazer, da qualidade de vida e do bem-estar-social.

Devemos lutar por uma relação que preze mais pelo social, do que pela acumulação de capital.

O nosso bom futebol brasileiro, e toda a nossa sociedade merece.

Por André Victor Mendes

Referências:

As relações étnico-raciais e o futebol do Rio de Janeiro; Mitos discriminação e mobilidade social; VIEIRA, José Jairo.

http://cidadania.fcl.com.br/agosto2012-especulacao-imobiliaria-e-o-fim-dos-craques-de-futebol/item/especulacao-imobiliaria-e-o-fim-dos-craques-de-futebol

André Victor
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