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Eventos envolvendo direitos humanos e contra a extrema-direita são alvos em universidades pelo país.

Publicado por: em 25/10/18 6:05 PM

Independente do resultado das urnas neste próximo domingo, a justiça que observa com complacência os escândalos envolvendo a disseminação de Fake News, decidiu agir de maneira firme com estudantes e universitários que decidem se colocar contra a extrema-direita ao redor do país.

A história e sempre a mesma, mandados de busca e apreensão, liminares na justiça, intimidação e até mesmo a presença de agentes da policia federal.

Nesta ultima quarta-feira (24) a estudantes da Universidade Católica de Petrópolis (UCP) foram impedir de realizar o evento  “Plenária dos estudantes contra o fascismo” sob a alegação de que seria um evento eleitoral, (A legislação não permite propaganda politica em prédios públicos) o evento, segundo testemunhas não nada diferente do que aulas de História ou grupos de estudo que abordam esse tema. Inclusive, nas convocatórias nenhuma menção ao candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro foi realizada. Mesmo assim o evento foi impedido.

O relato pode parecer ser um recorde de algum jornal de 1970, mas não, o ano é 2018.

No mesmo dia, também a noite, estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) fizeram uma manifestação na noite de hoje contra a ação de fiscais do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) que no dia anterior haviam comparecido ao local para a retirada de uma bandeira com os dizeres: “Direito UFF Antifacista”.

Reprodução/Facebook

Os fiscais afirmaram ter um mandado verbal expedido pela juíza Maria Aparecida da Costa para verificar ocorrência de propaganda política irregular. Porém segundo testemunhas, nenhuma documentação foi apresentada pelos fiscais.

A bandeira alvo da ação era uma releitura da bandeira do movimento antifascista difundida no mundo todo.

O problema não é a extrema-direita

A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) também foi alvo de ações do justiça eleitoral. Segundo o relato de uma monitora da disciplina de ética
do curso de Serviço Social da justiça eleitoral, três agentes da justiça eleitoral entraram no auditório I da Universidade, venquanto era exibido o filme Preciosa para debate relacionado ao tema que discutido em sala (preconceitos).

Os homens entraram em todas as salas e auditórios para investigar uma denúncia que havia sido feita, na qual alegava haver uma movimentação “estranha” na universidade.

Também na Paraíba, o juiz da 17° Zona Eleitoral de Campina Grande, Horácio de Melo, autorizou um mandado de busca e apreensão na sede da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Campina Grande (ADUFCG), após uma denúncia de crime eleitoral.

O mandado determina a apreensão de panfletos intitulados “Manifesto em defesa da Democracia e da Universidade Pública”, e outros materiais de campanha em prol do candidato a presidente da República, Fernando Haddad (PT).

Documento alvo do mandado.

A ação ocorre uma semana após a entidade se posicionar contra a extrema-direita e o fascismo.

Também nessa quarta-feira (24), o ex-reitor da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), Clébio Araújo, foi vítima de uma agressão dentro da universidade.

Testemunhas relataram que um homem, sem vínculo com a instituição, teria chegado filmando uma reunião que acontecia no local; o professor Clébio estava na livraria da Instituição, quando o homem, que não teve a identificação revelada, chegou agredindo o grupo que participava de um ato em defesa de Fernando Haddad.

Ano passado, o professor e reitor, também da UNEAL, Jairo José Campos da Costa, denunciou ter sofrido ameaça de morte, via telefone, caso concedesse a homenagem de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Universidade Estadual Paulista em Bauru também teve problemas com eventos políticos mas sem ligação com atividades eleitorais.

Ainda ontem (24) uma roda de conversa organizada por estudantes da Universidade cujo tema era “Em Defesa das Liberdades Democráticas”, que seria realizada em frente a biblioteca e em lugar aberto teve sua realização impedida pela vice diretora da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação que foi até o local informar que a roda não poderia ser realizada. Com a negativa, a atividade precisou ser transferida para a portaria número 1 da UNESP-Bauru.

Reprodução/Facebook

Boulos

Uma aula pública com o tema “Contra o Fascismo. Pela democracia” que aconteceria hoje (25) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), não pode realizada na universidade após decisão judicial assinada pelo juiz auxiliar Rômulo Pizzolatti, do Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-RS) que responde a pedido dos deputados federais Jerônimo Goergen (PP) e Marcel van Hattem (Novo).

A aula contaria com a presença de Guilherme Boulos (PSOL) e Tarso Genro (PT).

Cleber Lourenço
Editor-chefe, fundador e colunista desse site que tem como objetivo questionar e denunciar.
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