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Fascismo, PRTB e general Mourão: Agora tudo faz sentido

Publicado por: em 8/08/18 3:55 PM

Desde a simpatia ao Mussolini e investigação pelo MP: como a Frente Nacionalista está intimamente ligada com as declarações preconceituosas do General Mourão?

Em 2015 era fundado grupo de extrema-direita Frente Nacionalista, junto com a sua formação um evento chamado “dezembrada”. Anunciada como um congresso (realizado em Curitiba) que unificaria várias vertentes da extrema-direita do país, desde o nazismo até o integralismo (versão brasileira do fascismo), o evento foi inclusive apoiado pelo PRTB.

No seu cartaz de divulgação, o PRTB, partido liderado por Levy Fidelix aparece como um dos responsáveis pela realização do evento. Após pressões de entidades como a OAB e o Ministério Público, assim como de moradores da região, o evento foi cancelado sem que se soubesse como se deu a colaboração do partido do General Mourão e o homem do aerotrem.

Veja também: O integralismo quer voltar para as urnas

Em sua página no Facebook, a Frente Nacionalista negou qualquer simpatia com o nazismo e com o fascismo, embora admita “alguns pontos programáticos oriundos do fascismo”.

O vídeo de apresentação do movimento, no entanto, conta com um áudio de saudações ao nazismo, como ‘Heil Hitler’.

Inspiração em Mussolini e na Ação Integralista

A Frente Nacionalista informa em sua página oficial que foi fundada em abril de 2015 e que se trata de “um movimento político-partidário que reúne agrupamentos nacionalistas de várias tendências cujas vozes eram interditadas na constelação de partidos que gravitam em torno do esquerdismo e do fisiologismo”.

O grupo que aparentemente sumiu das redes sociais prega a chamada Terceira Posição política, uma linha de pensamento que é o cerne de criação do fascismo por Benito Mussolini e que atualmente se faz comum entre os movimentos nazistas ao redor do mundo, que não se coloca nem à esquerda, nem à direita, mas que prega o ultranacionalismo e são movimento por um sentimento anticomunista mas também contra capitalismo liberal.

Vale lembrar que o companheiro de chapa de Jair Bolsonaro não seria o primeiro a ter proximidade com o integralismo.

Outro Mourão, outro golpista

Em 1932, o general Olímpio Mourão Filho após ter lutado contra as forças constitucionalistas de São Paulo ingressou na Ação Integralista Brasileira (AIB). Foi o primeiro Chefe do Estado-Maior da Milícia Integralista e em 1937 ingressou na Câmara dos Quatrocentos, órgão consultivo da Chefia Nacional da AIB.

Em 1935, publicou a obra “Do liberalismo ao Integralismo”, na qual defendeu a substituição da liberal-democracia, “sistema absolutamente falido”, por uma Democracia Integral, ou “Integral-Democracia”, “bem como a substituição da ordem econômica liberal, alheia às regras da Moral e geradora de injustiças sociais, por uma ordem econômica sujeita à Moral e promotora da autêntica Justiça Social”

O General teve um papel determinante no golpe de estado no Brasil em 1964. Na manhã do dia 31 de março de 1964, telefonou para todo o Brasil dizendo: “Minhas tropas estão na rua!”. Na noite do mesmo dia ordenou que soldados da 4ª Divisão de Infantaria que comandava em Juiz de Fora seguissem para ocupar o antigo estado da Guanabara, atual cidade do Rio de Janeiro. As forças do general foram reforçadas por dois outros regimentos vindos de Belo Horizonte e São João del-Rei.

Cleber Lourenço
Editor-chefe, fundador e colunista desse site que tem como objetivo questionar e denunciar.
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