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General que ameaçou jornalista agora ameaça desembargador que mandou soltar Lula

Publicado por: em 9/07/18 1:48 PM

Tornou-se frequente há algum tempo a manifestação de generais sobre assuntos político e partidários. O general da reserva, Paulo Chagas, convocou seus seguidores gaúchos, no último domingo (8), a “conversar” com o desembargador Rogério Favreto, que concedeu habeas corpus ao ex-presidente Lula.

“O nome dele é Rogério Favreto, é um desembargador petralha, está de plantão no TRF4. Será fácil encontrá-lo para manifestar-lhe, com a veemência cabível, a nossa opinião sobre ele e sua irresponsabilidade. Ele é mais um apaixonado pelo ladrão maior. Conversem com ele!!”

Em abril deste ano, o mesmo general ameaçou em seu twitter o jornalista Ricardo Boechat após ele ter feito uma brincadeira com a resposta emocionada do General Paulo Chagas, que disse estar “aguardando ordens” ao se referir ao chamado do General Villas Bôas, que na ocasião também ameaçou veladamente o STF.

Uma das muitas declarações emitidas pelo General da Reserva em seu twitter:

“Aceitando a sugestão de vir fazer baderna nos gramados da Esplanada, o Sr Boechat poderá, ainda, experimentar a sensação de ser atropelado por um cavalo, de sentir ardência de um golpe de espada ou de ser cagado pelo cavalo”.

Leia também: General ameaça jornalista Ricardo Boechat

Os militares do Exército e todas as organizações militares brasileiras são proibidos, por lei, de se manifestar sobre questões políticas e partidárias.

Segundo o decreto 4346, de 2002, as transgressões passíveis de punição administrativa (dentro da própria instituição), e as manifestações políticas estão expressas em três delas:

  • Manifestar-se, publicamente, o militar da ativa, sem que esteja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária;
  • Tomar parte, fardado, em manifestações de natureza político-partidária;
  • Discutir ou provocar discussão, por qualquer veículo de comunicação, sobre assuntos políticos ou militares, exceto se devidamente autorizado.

Outro que tentou intimidar o desembargador Rogério Favreto sobre decisão de mandar soltar Lula foi o jornalista e professor da USP, Claudio Tognolli, que pelo twitter divulgou um número que seria o do celular de Favreto. Inúmeros internautas pediram um posicionamento das autoridades, pois se o número for verdadeiro, sua divulgação seria interpretada como tentativa de intimidação.

Desrespeito à Constituição, generais das forças armadas flertando com a ditadura militar, seguimos pacificamente assistindo à derrocada da democracia.

 

 

 

 

 

Natália Barbosa
Estudante de administração, paulista e feminista.
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