Coluna

– Jornalismo com opinião

Menos Tiago Leifert e mais Eric Cantona

O esporte sempre foi palco das maiores manifestações politicas, desde soviéticos contra nazistas até lutas por direitos iguais e contra o racismo, é impossível debater com a história este ponto.

Quando alguém fala que o esporte não pode ser palco de manifestações politicas só podemos chegar em duas conclusões: ou o sujeito é mal intencionado ou ignorante.

A agressão

No dia 25 de janeiro de 1995, o futebol inglês viveu um incidente que ficou marcado na história da Premier League. Expulso no empate por 1 a 1 entre Crystal Palace e Manchester United, o atacante francês Eric Cantona, eleito o melhor jogador da história dos Red Devils, reagiu à provocação de um torcedor e, correndo na direção das arquibancadas, deu uma voadora em um hooligan chamado Matthew Simmons.

Na ocasião, Cantona recebeu cartão vermelho por uma falta em Richard Shaw. O torcedor agredido estava provocando Cantona com ofensas xenófobas por ser estrangeiro. Simmons teria gritado: “Volte para a França com a vagabunda da sua mãe, idiota”, após descer 11 degraus nas arquibancadas.

Simmons era filiado ao National Front  Britânico, grupo fascista do país, ele também já tinha um histórico de violência, incluindo caso em que atacou um técnico de time após ter sido chamado de “lixo nazista” (nazi scum).

Em entrevista para o jornal BBC, quando perguntado sobre o melhor momento de sua carreira, o craque declarou:

“Foi quando dei o chute em um hooligan, porque este tipo de gente não tem nada o que fazer em um jogo. Acredito que é um sonho para alguns dar um chute neste tipo de gente. Assim, eu fiz por eles, para que ficassem felizes.

E eles falam até hoje sobre isso. Eu já vi muitos jogadores marcando gols e todos eles sabem a sensação. Mas esta, de pular e chutar um fascista não é algo que você encontra todos os dias.”

O reflexo de uma campanha

A fala de Tiago Leifert é reflexo de uma campanha para afastar a população da politica e que ao mesmo tempo gourmetizou o futebol, o discurso do apresentador não é muito diferente de tantos outros alvos que são inimigos de campanhas contra o futebol moderno.

O apresentador fala que a politica não pode afetar o espaço sagrado do entretenimento, mas nada fala do horário dos jogos que para agradar a Rede Globo e suas novelas, horário este que muitas vezes é incompatível com a rotina de centenas de trabalhadores deste país.

A politica não tem espaço no esporte pois assim fica mais fácil esquecer que José Marin, ex-presidente da CBF, foi agente da ditadura esteve envolvido diretamente no assassinato do jornalista Vladmir Herzog além de defender o criminosos do regime militar, o delegado Sergio Fleury.

Me pergunto de Tiago se incomodou com o santos que nas arquibancadas protestou contra o roubo de merenda de crianças do estado de São Paulo.

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Em um tempo cheio de Leiferts nas arquibancadas, campos, ruas e urnas. Precisamos de mais Cantonas.

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Cleber Lourenço
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