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Mídia: Propaganda política e manipulação – Noam Chomsky

Publicado por: em 21/09/18 6:41 PM

Trechos do livro Mídia: Propaganda e Manipulação – por Noam Chomsky.

“Comecemos com a primeira operação de propaganda governamental de nossa era, que aconteceu no governo de Woodrow Wilson, eleito presidente em 1916 com a plataforma “Paz sem vitória”. Isso aconteceu bem na metade da primeira guerra mundial, nos Estados Unidos. A população estava extremamente pacifista e não via motivo algum que justificasse um envolvimento americano numa guerra européia. O governo Wilson estava, entretanto, comprometido politicamente e economicamente com a guerra e tinha de fazer alguma coisa a respeito.

Foi constituída uma comissão de propaganda governamental, a comissão Creel, que conseguiu, em seis meses, transformar uma população pacífica em uma população histérica e belicosa que queria destruir tudo o que fosse alemão, partir os alemães em pedaços, entrar na guerra e salvar o mundo. Esse foi um feito importante, que levou a outro feito.

Nessa mesma época, após a guerra, foram utilizadas essas mesmas técnicas para insuflar um histórico pânico vermelho, justificada pela ascensão comunista, como foi conhecido, que obteve êxito considerável na destruição de sindicatos e na eliminação de problemas perigosos como a liberdade de imprensa e a liberdade de pensamento político.

Houve grande apoio por parte da mídia e dos líderes empresariais, os quais, de fato, organizaram e investiram muito nessa iniciativa. E ela foi, de modo geral, um grande sucesso.

Entre os que participaram ativamente e entusiasticamente na guerra de Wilson, estavam intelectuais progressistas, pessoas do círculo de John Dewey e que se orgulhavam, como se pode ler nos textos que escreveram na época, de ter demonstrado que o que achavam de “Membros mais inteligentes da comunidade”, a saber, eles próprios eram capazes de conduzir uma população relutante para a guerra por meio do terror e da indução à um fanatismo xenófobo.

Eles lançaram mão dos instrumentos mais diversos. Inventaram, por exemplo, que os Hunos cometiam uma série de atrocidades, como arrancar os braços dos bebês Belgas, e toda sorte de fatos horripilantes que ainda podem ser encontrados em alguns livros de história. Boa parte desse material foi criado pelo Ministério de Propaganda Britânico dedicado à época – como consta de suas resoluções secretas – “A controlar a opinião na maior parte do mundo”. Acima de tudo, porém, eles queriam controlar a opinião dos membros mais inteligentes da comunidade norte americana, os quais, então, difundiriam a propaganda política que estavam forjando e levariam um país pacifista à histeria bélica.

Funcionou. E funcionou muito bem. E nos deixou uma lição: A propaganda política patrocinada pelo estado ou pela iniciativa privada, quando apoiada pelas classes instruídas, e quando não existe espaço para contestá-la, pode ter consequências importantes. Foi uma lição aprendida por Hitler e por muitos outros, e quem tem sido fortemente adotada até os dias de hoje” (…)

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Redação A Coluna
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