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Opinião | A invisibilidade de mulheres nos espaços e a luta pela igualdade de gênero.

Publicado por: em 6/09/18 2:00 PM

Somos muitas, mas ainda somos minoria. Muitas pessoas não entendem o sentido da palavra “minoria” nesse contexto, mas é simples, ser uma minoria não quer dizer que você seja menos (em termos de população), mas sua voz é menos ouvida por algum outro motivo. Já vi muitas pessoas falarem: “mas existem muitas mulheres, por que são minoria?” Neste caso, a palavra tem o significado sim de menos, mas de menos visibilidade, acesso, representatividade e oportunidade.

Por exemplo, uma mulher negra é minoria na sociedade, porque além de mulher que está inserida nessa organização social que a coloca como mantenedora do lar e mãe, também sofre racismo. Ou seja, essa pessoa é “menor”, por não ter as mesmas oportunidades de uma mulher ou homem brancos, por exemplo. A diferença de gênero infelizmente perdura desde sempre na nossa sociedade e ser mulher não é uma tarefa fácil, pelo contrário, essa diferença nos faz lutar ainda mais pelos nossos DIREITOS, algo que deveria ser normal, tem de ser a duras penas conquistado por nós.

Ainda ganhamos menos, ainda somos abusadas sexualmente, ainda temos a maternidade romantizada, ainda nos colocam como objetos sexuais, ainda nos batem, ainda nos matam, ainda somos invisíveis e ainda somos julgadas porque reclamamos direitos iguais, como se isso fosse muito para nós, ou não fossemos dignas de tal.

Quase não sabemos, mas existem muitas conquistas feitas por mulheres mas que muitos homens levaram os créditos. Mas por que isso acontece? Muitas vezes porque algumas mulheres sabiam que o projeto não seria aceito caso soubessem que fosse feito por uma mulher, como é o caso da autora de Harry Potter, J.K. Rowling que decidiu colocar essas iniciais na assinatura dos livros porque um editor disse uma vez que garotos não leriam um livro escrito por uma mulher.

Isso não acontece apenas com escritoras, existem muitas outra invenções feitas por mulheres que os homens levaram os elogios.

Muitas vezes nós mulheres acabamos enaltecendo o trabalho de um homem e esquecemos que existem mulheres do nosso lado que fazem um trabalho tão incrível quanto, mas que por falta de costume, medo de perder a credibilidade nas palavras, acabam deixando de lado uma indicação que elevaria o nome de uma mulher. Um dos casos é quando falamos de política, raros são os textos de analises de mulheres que são compartilhados, como se o que falamos não tivesse o mesmo peso de conhecimento que o texto de um homem.

O meu ponto aqui não é colocar mulheres como superiores, porque estamos longe desse patamar; na escala, estamos uns 10 degraus abaixo dos homens, e ações como essa, só nos colocam na mesma altura, se isso é odiar ações masculinas, sinto muito, mas perdemos o senso de igualdade, pois é isso que buscamos.

Alguns dados de 2017, liberados pelo IBGE mostram que a desigualdade de gênero ainda é um fator muito presente nossa vida

No mercado de trabalho, a média salarial dos homens é de 2.306 reais, enquanto a das mulheres é de 1.764 reais. Eles ocupam 62,2% dos cargos gerenciais nas empresas, e elas apenas 37,8%.

A representividade política é o pior dos índices: só 10,5% dos deputados na Câmara são mulheres. Elas eram cerca de 50,6% da população brasileira no momento da pesquisa, segundo o IBGE. 

Além disso, uma pesquisa levantada pela FGV, mostra que mulheres que deram à luz tem 10% mais chances de serem demitidas que qualquer outro funcionário, o que nos faz refletir sobre a questão da romantização da maternidade, mostrando que mulheres são vistas apenas para cuidarem da casa, do marido e dos filhos, impedidas de estudarem e crescerem profissionalmente.

Por isso, é importante darmos espaço para mulheres. Como? Busque sempre compartilhar textos de mulheres, indique uma mulher para trabalhos, contrate uma mulher para serviços, fale de mulheres, procure saber quem são as mulheres ao seu redor e enalteça suas habilidades. O importante é criarmos uma rede de apoio entre nós, pois se formos depender da nossa sociedade, seremos cada vez mais apagadas e pior, por nós mesmas.

A ideia não é fazer um mundo de Amazonas, mas saber que existimos e resistimos, que somos competentes e que, apesar de ainda ganharmos menos, nossas ideias não serem acatadas por sermos vistas como sentimentais e histéricas, somos tão capazes quanto homens.

Ocupemos espaços dito “masculinos”, sejamos T.I, programadoras, pedreiras, gerentes, matemáticas, físicas, filósofas, engenheiras, caminhoneiras, cientistas,  marinheiras ((PLC 147/2017), projeto que libera às mulheres o acesso a todos os cargos de oficiais da Marinha.).

Lutar sozinha por espaços é mais difícil, mas quando nos unimos em prol de uma causa, ela começa a ganhar força. Valorize, busque, indique e faça valer a igualdade de gênero.

Gostou deste texto? Leia mais sobre feminismo e maternidade AQUI.

Joice Melo
Mãe, feminista e ativista social. Luto contra a romantização da maternidade e pelo fim da exploração e invisibilização da mulher. Acredito no feminismo classista. Contato: joice@acoluna.co

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