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Opinião | A união de mulheres contra Bolsonaro!

Publicado por: em 11/09/18 11:51 AM

A alguns dias das eleições no Brasil, mulheres se unem contra o candidato à Presidência Bolsonaro!

Não é à toa que mulheres tenham em comum o objetivo de evitar a candidatura do presidenciável depois de tanto discurso de ódio.

Bolsonaro é famoso por ser racista, misógino e mais um monte de ismos que parecem passar desapercebidos por algumas pessoas que ainda pensam em eleger o atual “mito”.

Dentre os tantos crimes cometidos pelo atual candidato temos: o racismo! Em entrevistas ele cita claramente o seu ódio contra negros. Em uma palestra no clube Hebraica no dia 03 de abril de 2017, se manifestou de forma negativa sobre os negros.

“Alguém já viu um japonês pedindo esmola por aí? Porque é uma raça que tem vergonha na cara. Não é igual essa raça que tá aí embaixo ou como uma minoria tá ruminando aqui do lado.”

Ademais,

Na visita a um quilombola no El Dourado Paulista, ele cita:

“o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador eles servem mais. Mais de um bilhão de reais por ano gastado com eles.”

E não para por ai! Em uma entrevista no CQC em 2011, a cantora Preta Gil pergunta ao candidato ”o que ele faria se o seu filho se apaixonasse por uma mulher negra”, em resposta, o candidato disse:

“Preta, não vou discutir promiscuidade com quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem-educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu.”

Além dos crimes de racismo, o atual responde a processos à apologia ao estupro quando disse publicamente que não iria estuprar a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela não merecia. Após isso, em uma entrevista justificou e reafirmou a fala com “ela é muito feia”.

Além disso, o tema feminicídio é tido como piada para Bolsonaro, mesmo que as pesquisas apontem que no Brasil temos 4.473 homicídios dolosos, entre eles, 946 feminicídios, dados de 2017.

 “Uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, taxa de 4,3 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas do sexo feminino. Se considerarmos o último relatório da Organização Mundial da Saúde, o Brasil ocuparia a 7ª posição entre as nações mais violentas para as mulheres de um total de 83 países.” Samira Bueno e Juliana Martins, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Mesmo com essa infeliz realidade, o atual candidato no dia 8 de março, considerado dia da mulher, dá o seguinte recado:

“Parabéns a todas as mulheres do Brasil porque eu defendo a posse de armas de fogo para todos, né? Inclusive vocês, obviamente, as mulheres. Nós temos de acabar com o mi-mi-mi. Acabar com essa história de feminicídio, que, daí, com arma na cintura, vai ter é homicídio” Jair Bolsonaro

Ou seja, para ele, pouco importa se temos mulheres morrendo, já que fomenta o discurso de ódio contra mulheres e ainda faz piada disso, usando o porte de armas como uma “solução” para o número de mortes, ignorando a realidade que é: MULHERES MORREM TODOS OS DIAS. Apontar mais mortes como solução é um comportamento claramente fascista.

Acima foram citados apenas alguns dos muitos crimes do atual candidato, não considerados menos ou mais graves, mas que são um atentado à saúde física e moral de mulheres do Brasil.

Com todos esses contras, nada mais justo que este seja o candidato com mais rejeição até o momento. Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha no dia 10 de setembro, com 2.804 eleitores de 197 municípios brasileiros, o atual candidato ganhou alguns pontos a mais na rejeição que era de 39% e subiu para 43%, porém infelizmente continua na liderança em intenções de voto, quando em agosto estava com 22%, subiu para 24%.

Taxa de rejeição dos demais candidatos. Fonte: Datafolha.

  • Jair Bolsonaro – 43%
  • Marina Silva – 29%
  • Geraldo Alckmin (PSDB) – 24%
  • Fernando Haddad (PT) – 22%
  • Ciro Gomes (PDT) – 20%
  • Cabo Daciolo (Patriota) – 19%
  • Vera Lúcia (PSTU) – 19%
  • Eymael (DC) – 18%
  • Guilherme Boulos (PSol) – 17%
  • Henrique Meirelles (MDB) – 17%
  • João Goulart Filho (PPL) – 15%
  • João Amoêdo (Novo) – 15%
  • Alvaro Dias (Podemos) – 14%
  • Rejeita todos/não votaria em nenhum – 5%
  • Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum – 2%
  • Não sabe – 6%

A maior força de expulsão é entre mulheres (49%), mais jovens (55%) e não no Nordeste (51%).

Por isso, nada mais justo que o maior índice de rejeição seja por parte das mulheres que estão se reunindo, criando campanhas e manifestações contra o candidato.

Para isso acontecer, foi criado um grupo no Facebook chamado: “Mulheres unidas contra o Bolsonaro”. Em conversa com a idealizadora do grupo, Ludmilla Teixeira, ela afirma que o grupo foi criado para a união das mulheres contra a escolha do atual candidato à presidência. Segundo ela, o grupo é de mulheres APARTIDÁRIAS, ou seja, sem nenhuma ligação política com partidos ou candidatos.

Além disso, mulheres cis ou trans, de esquerda ou direita são super aceitas, porém, a única exigência para fazer parte é ser “anti-bolsonaro”.

O grupo contém mais 672.251 mulheres, sendo diariamente mais de 10 mil pedidos de aprovação. Segundo a criadora, ainda essa semana, o grupo pode chegar a 1 milhão de mulheres.

No grupo, também consta muita informação. Mesmo sendo apartidário, as moderadoras citam e avaliam todos os candidatos, pedindo para que outras mulheres falem sobre “propostas, planos de governo, projetos e afins” o que faz com que a ficha e objetivos de cada candidato sejam apresentados para os votantes, levando assim mais informação e menos ignorância para momento do voto.

Postagem de uma membro do grupo

Este é o pequeno manifesto criado pelas moradoras e idealizadoras do grupo!

Uma das criadoras, Rosana, cita:

“A ideia desse grupo é de impedir o avanço do machismo, da desvalorização da mulher e de todo e qualquer preconceito que vem complementando como falas deste candidato a presidente. Como já existiu claro tudo o que não queremos (representado por B e os eleitores), a ideia principal é definir os pontos principais do nosso movimento.

Ainda em fala:

Esta é uma grande oportunidade de união! De controlo da nossa força! O reconhecimento da força da união de nossas mulheres é direcionar o futuro deste país! Bem-vindas, que identificam com o crescimento deste movimento.

Podemos a importância da união das mulheres em ações como esta contra um mal em comum. Estão nos matando, assediando estuprando, estamos passando por racismo diariamente e eleger um candidato que apoia tudo isso é assinar a própria sentença!

Por isso, fique de olho no grupo, nas ações que serão feitas, se una com outras mulheres, mostre a elas as falas do candidato, vamos tentar juntas impedir a sua chegada à presidência do nosso País.

Sejamos mulheres unidas contra Bolsonaro! Para fazer parte do grupo clique aqui.

Gostou deste texto? Leia mais sobre feminismo e maternidade AQUI.

Joice Melo
Mãe, feminista e ativista social. Luto contra a romantização da maternidade e pelo fim da exploração e invisibilização da mulher. Acredito no feminismo classista. Contato: joice@acoluna.co

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