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Pessoas envolvidas em protestos contra racismo na cidade americana de Ferguson estão sendo executadas

Publicado por: em 1/11/18 6:20 PM

Em 2014 uma série contínua de protestos tiveram início após o episódio em que um policial branco executar Michael Brown, um negro de dezoito anos de idade, em 9 de agosto de 2014, em Ferguson, Missouri, Estados Unidos.

As manifestações continuaram em 24 de novembro de 2014, depois que o policial que atirou Michael Brown não foi indiciado por um júri. O ocorrido fez o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abrir uma investigação contra  o Departamento de Polícia de Ferguson por conta de uma possível má conduta ou discriminação racial no caso.

Agora, quatro anos depois o episódio vem a tona novamente após uma série de assassinatos serem divulgados, as vitimas estiveram presentes ou ligadas de alguma maneira com as manifestações de 2014.

Até o momento 5 pessoas foram mortas, a vitima mais recente foi Danye Jones, filho da ativista Melissa McKinnies que esteve envolvida diretamente com as manifestações.

Melissa informou para os jornais locais que seu filho foi encontrado enforcado com um lençol em uma árvore no quintal de sua casa, ela também disse que o lençol não se parece com nenhum outro que ela tenha em sua casa e que descarta a hipótese de suicídio, linha de investigação com a qual a policia local trabalha.

Onda de execuções

A onda de execuções teria começado ainda em 2014 quando Deandre Joshua, 20, foi encontrado morto dentro de seu carro, não muito longe do complexo de apartamentos onde Brown havia sido morto. Joshua foi baleado na cabeça e seu corpo foi incendiado.

Em 2016, Darren Seals, 29, foi encontrado morto dentro de um carro em chamas . Ele também havia sido morto a tiros. Darren foi um dos primeiros a se manifestar contra a morte de Brown e se tornou um grande defensor da luta contra a violência e o racismo na cidade. Asim como todas as mortes de manifestante ligados aos episódios de Ferguson, o crime segue sem solução.

No ano seguinte foi a vez de Edward Crawford, 27 anos, ser encontrado morto, desta vez o corpo não foi queimado, porém a cena do crime levou os policiais a acreditar que a morte poderia ser um suicídio.

Crawford ficou famoso pelas lentes do fotógrafo Robert Cohen:

Em 2015 Vinnie Cascella, 24, foi encontrado morte dentro de seu carro em chamas, os bombeiros disseram ter visto marcas de disparos no peito da vitima, Vinnie era branco e não possuía registros de participação nas manifestações de Ferguson, porém a semelhança da morte com a de outras vítimas envolvidas nas manifestações alertou as autoridades. 

Também em 2014, Antonio Jones, morador da cidade de Ferguson foi encontrado com ferimentos à bala no porta-malas de um carro em chamas. Em janeiro deste ano a policia local acusou 3 homens envolvidos com tráfico de drogas de terem envolvimento no assassinato de Jones, a policia não informou como chegou a tal conclusão.

Outras duas pessoas sem registro de participação nas manifestações também foram encontradas mortas em circunstancias semelhantes, Terrell
Beasley foi encontrado morto dentro de um carro em chamas em dezembro de 2014, policiais afirmam que momentos antes alguém no veículo que Beasley estava atirou em Don McGhee, um policial de St. Louis que estava de folga, McGhee seria afastado meses depois após ser flagrado repassando armas para um traficante da região.

Também em 2014 Darnell Robinson, foi encontrado morto dentro de um carro em chamas, assim como Terrell Beasley, Darnell não tinha registros de participação em manifestação em Ferguson.

Métodos da Ku Klux Kan

As formas como maioria das vítimas foram executadas lembram os métodos usados pela Ku Klux Kan para apavorar afro-americanos no século passado, como enforcamentos em árvores e queima de corpos em áreas públicas.

Em agosto de 2017 membros do grupo criminoso ameaçaram queimar uma jornalista negra durante entrevista.

Cleber Lourenço
Editor-chefe, fundador e colunista desse site que tem como objetivo questionar e denunciar.
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