Coluna

– Jornalismo com opinião

Por que os brasileiros são presas fáceis do mercado europeu?

Com o início próximo de mais uma temporada europeia, e consequentemente, muitas movimentações de transferências de jogadores na janela do Velho Continente, fazendo vítimas no futebol brasileiro, floresce mais uma vez o velho dilema: por que os clubes brasileiros não conseguem segurar seus grandes jogadores por muito tempo?

A resposta pode parecer simples, mas consiste em mais de um fator. Desde o técnico e esportivo, passeia pelo fator cultural e tem o ápice na política econômica.

A grande maioria dos jogadores (para não dizer a totalidade) sonha em jogar na Europa, mesmo que em uma liga menor, pequena ou intermediária. O fato de o jogador querer sair já é um grande empecilho para o clube brasileiro (que podemos também ampliar a discussão e dizer sul-americano) segurar o jogador. O atleta é senhor de si mesmo e não está mais amarrado ao clube, devido à Lei Bosman.

O fator que faz todo jogador querer atuar na Europa começa com a evolução técnica e, principalmente, tática, que o futebol europeu propicia, pelo fato de contar com uma intensidade de jogo maior. Essa evolução faz todo jogador sonhar até mesmo com convocação para a seleção brasileira, devido a maior visibilidade inclusa no pacote.

O fator cultural atua no sentido de ser parte do sonhos de grande parte das pessoas conhecer uma cidade europeia, e porque não, morar. Isso também ajuda a encher os olhos de qualquer atleta.

Já o motivo econômico, do jogador fazer sua independência financeira para o resto da vida, se dá por conta do valor do euro frente ao real.

Que não dá para competir, que é preciso de arrecadação quatro vezes mais dos clubes brasileiros para se equiparar ao europeu, não é novidade para ninguém. Mas o que se poderia fazer para este cenário melhorar?

Se o real não se diminuísse tanto frente às principais moedas do mundo, entre elas o euro, os clubes brasileiros, ao menos, poderiam vender melhor suas promessas. A política econômica adotada pelo país é fundamental na saúde financeira dos clubes no que diz respeito à internacionalização da marca e à condição econômica do clube brigar pela presença de um jogador por mais tempo. Um Brasil com uma economia mais forte e protegida da globalização econômica neoliberal em diversos setores, ajudaria no problema.

Um mito e um problema dos clubes relacionados à economia futebolística precisam ser desfeitos, em contrapartida.

As dificuldades – e vexames – que os brasileiros (e sul-americanos em geral, já que o Brasil tem a maior economia da região) passam nos Mundiais de Clubes, não podem ser escoradas no fator econômico. Desde 2012 um clube sul-americano não vence um europeu na disputa, em muitas dessas vezes não fazendo uma grande exibição. A falta de preparo psicológico, as deficiências táticas e até mesmo o fator do calendário brasileiro estar no final em dezembro (mês de disputa da competição) ajudam a criar um abismo jamais visto na competição.

Times baratos fazendo boas campanhas frente a clubes mais endinheirados nos últimos anos, como Leicester City, Roma e Monaco se destacando nas últimas edições da Liga dos Campeões, além do Botafogo de Jair Ventura, são exemplos de que o dinheiro pelo dinheiro não é suficiente.

Um problema enfrentado pelos clubes brasileiros seja na Libertadores ou na Copa Sul-Americana, que é amargar eliminações sucessivas para clubes de ligas menores e com menor poder econômico, como a da Bolívia, Equador e Paraguai, escancara ainda mais a falta de planejamento e de preparo psicológico dos brasileiros. Na grande maioria das vezes têm melhores times e elencos, mais dinheiro, e não fazem valer a diferença.

Neste aspecto, os clubes brasileiros podem contratar os jogadores que quiserem na América do Sul, como os europeus fazem conosco, e é só mais uma prova de que o dinheiro não traz mais facilidade para ganhar títulos. Ao contrário, traz mais pressão, como no Palmeiras atual. Mas aí já é outra história…

Kalleb Barboza
Formado em jornalismo pela FIAM-FAAM, amante de esportes e um curioso sobre seus acontecimentos políticos e históricos

kalleb@acoluna.co
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