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Supremacistas brancos são ofuscados por multidão antifascista em Washington

Publicado por: em 13/08/18 4:14 PM

Neste domingo (12), o grupo Unite the Right convocou uma manifestação para reivindicar “os direitos cívicos dos brancos”. Mas havia apenas cerca de 30 pessoas no local, escoltadas pela polícia. Organizado por grupos de supremacistas brancos, tinham a intenção de reunir pelo menos 400 pessoas, de acordo com o pedido de autorização que enviaram às autoridades locais, mas não conseguiram atrair nem metade. 

A duração da manifestação também foi curta. Inicialmente eles propuseram caminhar por duas horas, mas uma hora depois afirmavam no Twitter que já tinham deixado o local, sem chegar na Casa Branca.

Os supremacistas foram levados, por volta das 18h, em veículos policiais a uma estação de metrô para seu regresso. No fim do dia, só restava um pequeno grupo de seis supremacistas, sendo ofuscados por grupos antifascistas.

O número dos grupos antifascistas foi maior que do Unite the Right, que se reuniram para repudiar o movimento. Desde a madrugada, centenas de pessoas começaram a chegar à Freedom Plaza, perto da Casa Branca, e à Lafayette Square, local de concentração dos supremacistas. 

Os participantes da Unite the Right, protegidos pela polícia, tiveram dificuldades inclusive para chegar ao local de concentração, sendo alvos de xingamentos e empurrões, tendo objetos arremessados em sua direção.

Este ano, foi a segunda vez que os supremacistas da Unite the Right se reuniram, ano passado causaram conflitos em Charlottesville, onde um homem que pertencia ao grupo,  jogou seu carro contra um grupo que protestava contra o evento, matando a assistente jurídica Heather Heyer e deixando pelo menos 19 outras pessoas feridas.

Foto: Reuters/Jim Urquhart

O organizador da manifestação do ano passado, Jason Kessler havia pedido autorização para marchar de novo em Charlottesville, mas as autoridades da cidade a negaram.

A resistência esteve presente com famílias, crianças, pessoas lutando contra os discursos de ódio, ativistas negros, antifascistas e socialistas. 

Entre eles estava Amanda Trebach, integrante da organização Internacional Socialista e enfermeira. Segundo ela, os neonazistas precisam ser confrontados em número nas ruas para que vejam que não têm uma mensagem majoritária.

“Acho que o presidente (Donald Trump) está reforçando a mensagem dos nazistas porque apoia muitas das suas ideias, porque não condenou os grupos que chegam hoje à cidade. Ele os empoderou”, enfatizou a ativista, ao explicar que as ações físicas contra xenófobos não são a melhor solução.

“Alguns dizem que a melhor estratégia é ignorar os supremacistas brancos, que não devemos lhes dar muita atenção”, disse à France Presse, Kei Pritsker, de 22 anos, integrante da Answer Coalition, um grupo antirracismo. “Mas nós realmente acreditamos que seria um erro enorme deixar que os fascistas pisem forte no solo da capital do país, sem oposição” completa.

Foto: Reuters/Jim Bourg

No sábado, data do primeiro aniversário dos confrontos em Charlottesville e da morte de Heyer, o presidente Donald Trump condenou “todos os tipos de racismo e atos de violência” em uma mensagem no Twitter.

“Os distúrbios em Charlottesville de um ano atrás causaram mortes insensatas e divisão. Devemos estar unidos como nação. Condeno todo tipo de racismo e atos de violência. Paz para todos os americanos”, disse Trump no Twitter. 

Franciele Garcia
Contribui com A Coluna na redação jornalística.
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